
Segue-se a narração resumida:
Como Cândido viveu e foi expulso do famoso castelo.
Havia em Vestefália, no castelo do barão Thunder-tem-tronckh, um jovem dotado pela natureza com os sentimentos mais nobres. Possuía o raciocínio justo e o espírito simples, era essa a razão pela qual lhe chamavam Cândido.
A filha do barão, que se chamava Cunegundes, de dezassete anos de idade, era muito linda.
O educador Pangloss era o oráculo da casa e Cândido ouvia com todos os sentidos o que o mestre ensinava.
Cândido escutava tudo silenciosamente, atentamente e acreditava inocentemente em tudo o
que lhe era ensinado. Pensava que depois da felicidade de ter nascido barão, o segundo grau de felicidade era ter a menina Cunegundes, o terceiro consistia em vê-la todos os dias e o quarto era ouvir o professor Pangloss, o maior filósofo da terra inteira.
Com o avançar do tempo, Cândido e Cungundes enamoram-se, mas o barão apercebe-se da ‘causa-efeito’ e expulsa Cândido do paraíso terrestre.
Uma vez expulso, ou seja, finda da bela vida no castelo, este é enganado pelos soldados búlgaros, passando muita amargura, inclusive fome e maus tratos. Por entre uma tremenda batalha travada pelos reis, Cândido reencontra Pangloss, também ele num estado miserável, e toma conhecimento da morte da sua amada.
Após recuperar os sentidos, Cândido questiona-se sobre a ‘causa-efeito’ que Pangloss lhe ensinara, e só então percebe que toda essa situação se deve exclusivamente a esse sentimento consolador do género humano, conservador do Universo, a alma de todos os seres sensíveis, o terno amor.
Juntos, prosseguem caminho e ultrapassam múltiplas dificuldades. Entretanto, Cândido é levado por uma velha a um casebre onde está Cunegundes e fica admirado por ela estar viva e se encontrar em Portugal. Unindo esforços, conseguem fugir e iniciam uma longa e difícil viagem de regresso, viagem essa também ela plena de peripécias.
Já estavam no paraguaio, quando Cândido se apresenta como capitão alemão e conhecedor do exército búlgaro. O comandante, que também era padre, faz-lhe várias perguntas em alemão, para se certificar de que não era enganado. Quando Cândido lhe diz que era da feia província de Vestefália e que nasceu no castelo de Thunder-ten-troneckh, surpreende o comandante que logo o reconhece e o cumprimenta (trata-se do irmão de Cunegundes). Cândido diz-lhe que a irmã esta viva e logo se lembra que se Pangloss estivesse vivo, teria uma explicação para tudo o que se passara.
Cândido, depois de lhe contar que Cunegundes se encontrava em Buenos Aires e de manifestar a sua vontade de casar com ela, é agredido pelo comandante. Perante o ataque, Cândido puxa da espada e trespassa-o, chorando depois a morte do barão, irmão da amada.
A longa e atribulada história finaliza com o reencontro de Cândido, Cunegundes e Pangloss, que, felizes, vivem numa quinta.
A conclusão que tiro da história é que se aprende sempre com as histórias felizes, mas também se aprende com as infelizes. Para se distinguir o que é bom do mau, precisamos de ambos, ou como dizia o filósofo Pangloss: “tendo tudo sido criado para um fim, tudo é necessário para o melhor dos fins”.
Manuel Joaquim Ferreira





